Com estoque baixo, Hemominas faz alerta por doação de sangue
REGIÃO
Publicado em 23/01/2018

 

Com o aumento dos casos de febre amarela em Minas Gerais, o estoque de sangue da Fundação Hemominas, que normalmente cai cerca de 30% durante o período de férias e Carnaval, pode ficar em situação ainda mais grave. Em muitos casos, o tratamento da doença exige o uso de grandes quantidades de componentes do sangue. Além disso, quem se vacina contra a febre amarela não pode doar sangue por 30 dias. Por isso, o apelo da Hemominas é que as pessoas façam a doação antes de se imunizarem.

Atualmente, os estoques dos tipos sanguíneos O, A e AB negativos e O positivo estão em estado crítico, e os demais estão em situação de alerta. Apenas o estoque do tipo AB positivo está estável. “A maior queda é no grupo O negativo, que é o doador universal. Nesse grupo, a queda chega a 40%. Ele é utilizado em maior quantidade em hospitais que atendem emergências, como o João XXIII, quando chegam pacientes em estado muito grave que precisam de sangue e não dá tempo de fazer a tipagem sanguínea”, explicou a assessora da gerência de captação e cadastro da Fundação Hemominas, Viviane Guerra.

Ela ressalta, no entanto, que a doação de todos os tipos sanguíneos é importante, sobretudo nesta época de sazonalidade da febre amarela, em que pacientes com a doença podem precisar de transfusões de sangue. “O uso do sangue é necessário para o tratamento de febre amarela, que causa vários impactos, principalmente no fígado e na coagulação, que podem provocar sangramentos. Os pacientes usam várias bolsas de sangue dos diversos hemocomponentes”, afirmou Viviane. Além disso, existe a demanda de rotina já atendida pelo banco de sangue.

Esses sintomas acometem apenas os pacientes que desenvolvem a forma mais grave da febre amarela, que, de acordo com o Ministério da Saúde, representam cerca de 15% do total de pessoas doentes. A maioria das pessoas não apresenta sintomas de febre amarela ou manifesta sinais semelhantes aos de outras viroses, como febre de início súbito, calafrios, dor de cabeça, dores nas costas, dores no corpo em geral, náuseas e vômitos, fadiga e fraqueza. Nesses casos, o paciente pode melhorar em três dias e, muitas vezes, nem chega a ter atendimento médico e ser diagnosticado.

A orientação da Hemominas é que as pessoas que não foram imunizadas contra a febre amarela doem sangue antes de tomar a vacina – as duas coisas podem ser feitas no mesmo dia. Aquelas que já se vacinaram devem aguardar 30 dias antes de fazer a doação. Esse tempo é recomendado, de acordo com o Ministério da Saúde, devido à necessidade de se considerar o risco de transmissão da doença por meio de transfusão sanguínea após a vacinação de doadores de sangue.
 

Balanço 
Na segunda-feira (22), um novo óbito por febre amarela foi confirmado em Brumadinho, na região metropolitana. A vítima é um homem de 54 anos, que morava no distrito de Aranha, na zona rural da cidade. Ele estava internado no Hospital Eduardo de Menezes e morreu no domingo (21). Com o caso, chega a 19 o número de óbitos confirmados por febre amarela em Minas Gerais.

Em Raposos, na região metropolitana, um homem de 40 anos morreu com suspeita da doença. A vítima morava no município, mas trabalhava em Rio Acima, na mesma região, onde já foram confirmados casos. Outra morte suspeita é a de um morador de Belmiro Braga, na Zona da Mata. Ele tinha 53 anos e morreu na madrugada de segunda-feira enquanto aguardava um transplante de fígado na Santa Casa de Juiz de Fora.

De acordo com o Ministério da Saúde, até 50% dos doentes que desenvolvem a forma grave da doença morrem. “Nesses casos, o tratamento é suportivo. A pessoa vai para o CTI, onde é dado todo o suporte clínico com o objetivo de manter o paciente vivo até o próprio organismo conseguir eliminar o vírus, mas, muitas vezes, não dá tempo”, explicou Estevão Urbano.

Ações 
Todas as prefeituras das cidades onde foram confirmados casos de febre amarela informaram que reforçaram a vacinação e as ações de combate e prevenção à doença. 

 

 

Fonte: O Vigilante

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