Síndrome que atinge músculos e ligamentos afeta até 7 vezes mais as mulheres; entenda a fibromialgia
07/06/2024 05:11 em BRASIL

 

Dores crônicas nos músculos e ligamentos e em outras partes do corpo que não podem ser localizadas com precisão, fadiga constante e depressão são apenas alguns dos sintomas da fibromialgia. Essa síndrome de dor crônica afeta as mulheres de seis a sete vezes mais do que os homens.

Às vezes, há um desencadeador direto da síndrome, como operações menores ou procedimentos triviais que não estão associados a uma dor intensa. No entanto, eles podem ser o início da fibromialgia.

 

Em 1992, a Organização Mundial da Saúde (OMS) reconheceu a fibromialgia como uma doença. Isso contribuiu para que ela se tornasse um diagnóstico médico e para um amento da pesquisa sobre essa síndrome.

Entretanto, os pesquisadores ainda não conseguiram descobrir exatamente o que desencadeia a fibromialgia e como ela se desenvolve. Exames de sangue, ultrassom, tomografia computadorizada ou ressonância magnética não ajudam no diagnóstico.

Um método para detectar a doença é baseado nos chamados pontos sensíveis, no qual 18 pontos no corpo são pressionados pelo médico. Se houver uma reação de dor em 11 deles, é provável o diagnóstico de fibromialgia. No entanto, esses testes são extremamente individuais, podem ser interpretados de diversas maneiras e exigem anos de experiência de médicos.

Se a dor persistir por pelo menos três meses, tanto abaixo quanto acima da cintura e em ambos os lados do corpo, há grande probabilidade do diagnóstico ser a fibromialgia.

 

Entretanto, outros sintomas também podem ser uma indicação da doença. A fadiga, por exemplo, pode ser um sintoma, se ela não melhorar mesmo com longos períodos de sono. Em vez de ganhar força e energia durante o sono e se regenerar, os pacientes geralmente acordam esgotados e exaustos, sentindo-se pior do que antes. Também podem ocorrer dores de cabeça, depressão e ansiedade.

 

Por trás da fibromialgia está um distúrbio do controle da dor, diz Müller-Schwefe. "Temos sistemas de controle da dor desde o nascimento. Eles podem estar ativos de diferentes maneiras. Eles partem do cérebro e passam pela medula espinhal e têm um efeito de controle da dor. No caso de fibromialgia, esses sistemas tem algum transtorno, o que pode ser ocasionado de acordo com a biografia dos pacientes."

 

Outros fatores desencadeantes podem ser experiências traumáticas, como acidentes ou estresse emocional grave. "O pano de fundo geralmente é o abuso e as exigências excessivas. Cerca de 20% das meninas na Alemanha são vítimas de abuso, geralmente dentro do círculo familiar mais próximo. Ou elas se sentem sobrecarregadas porque assumem responsabilidades na família que não estão aptas. Em algum momento, tudo isso pode se romper, geralmente a partir dos 40 anos de idade", diz Müller-Schwefe.

 

A fibromialgia não tem cura, apenas os vários sintomas podem ser aliviados. Entretanto, de acordo com Müller-Schwefe, analgésicos como ibuprofeno ou paracetamol não são uma solução. "Qualquer pessoa que tente tratar a fibromialgia com analgésicos ou injeções não está enfrentando o problema. Alguns remédios fortalecem o sistema de controle da dor do próprio corpo. Os afetados devem aprender a ativar esse sistema repetidamente por meio de psicoterapia e de terapia psicológica para a dor", acrescenta.

Alguns pacientes podem ser ajudados com a administração de antidepressivos ou dos chamados anticonvulsivos. Esses medicamentos enfraquecem os sinais de dor no sistema nervoso.

A acupuntura e os exercícios de respiração também podem ser úteis. "É possível obter bons resultados com a ioga", diz Bernardy. Ela recomenda uma terapia multimodal que consiste em tratamento da dor, psicoterapia e atividade física. "Se os pacientes praticam regularmente esportes de resistência e também tomam antidepressivos, ou seja, se estiverem recebendo uma boa terapia multimodal, eles podem encontrar maneiras muito boas de lidar com suas deficiências e manter sua qualidade de vida."

Para entender melhor a doença, pode ser útil manter um diário da dor ou participar de grupos de autoajuda onde os pacientes compartilham experiências. "A primeira coisa que recomendo aos pacientes é se levar a sério", diz Müller-Schwefe. "Se alguém tentar te convencer de que você está imaginando coisas e que a dor não é real, certifique-se de ser levado a sério. Essa é a coisa mais importante", aconselha o especialista.

 

 

Fonte: G-1

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